Nosso primeiro dia como voluntários pela Worldpackers: chuva, cozinha e o mar a 40 metros
Saímos de Curitiba de ônibus para começar nosso primeiro voluntariado pela Worldpackers.
Levamos junto duas coisas que já estavam nos acompanhando havia alguns dias: trabalho para entregar e chuva.
E, durante boa parte do caminho, outra coisa também foi com a gente:
Como será que vai ser?
Era nossa primeira experiência desse tipo. A gente tinha conversado antes, sabia onde estava indo e mais ou menos o que faria, mas chegar de verdade é diferente.
Quem estaria lá? Como seria conviver com pessoas que nunca vimos? Será que tínhamos escolhido bem?
No fim, a preocupação durou mais do que precisava.
A recepção foi muito melhor do que esperávamos.
Desde que chegamos, o pessoal nos recebeu muito bem. A Cibele, nossa anfitriã, foi superatenciosa. Apresentou o lugar com calma, mostrou os espaços e foi explicando como tudo funcionava.
Era bastante informação para absorver logo depois de descer de um ônibus, mas a sensação foi boa desde o começo.
A gente se sentiu recebido.
E pensei que talvez tivéssemos escolhido justamente o lugar certo para começar.
Deus é muito bom.
O Hostel Costa Terral ainda tinha uma vantagem difícil de ignorar: fica a uns 40 metros do mar.
Tecnicamente, estávamos praticamente na praia.
Na prática, a chuva parecia estar ainda mais perto.
Depois de poucos dias de sol em Curitiba, chegamos ao litoral do Paraná com frio, céu fechado e tempo instável.
O mar estava logo ali.
Só ainda não parecia muito interessado em nos receber.
Um chalé só nosso
Nosso quarto é um chalé triangular, daqueles em que o teto vai descendo até quase encontrar as paredes.
Por dentro, uma cama de casal ocupa boa parte do espaço.
É pequeno, simples e, justamente por isso, tem aquela sensação de esconderijo — um canto nosso no meio de um lugar onde quase tudo é compartilhado.
Para um casal viajando junto, isso faz diferença.
Na área comum há piscina, mesa de sinuca, ping pong e espaços para convivência.
Ainda não aproveitamos praticamente nada disso.
Primeiro porque tínhamos acabado de chegar.
Segundo porque, aparentemente, a piscina e a chuva estavam disputando para ver qual tinha mais água.
Quem nos recebeu já esteve do outro lado
Enquanto Cibele mostrava o hostel, conhecemos um pouco da história dela e do marido.
Eles também já viajaram como voluntários.
Durante a pandemia, foi assim que conheceram o dono do lugar. Mais tarde, quando estavam em Florianópolis e planejavam seguir para a serra, receberam uma mensagem: o hostel precisava de um casal para administrá-lo.
Eles aceitaram.
Hoje moram aqui e cuidam de tudo.
Achei muito legal descobrir isso logo na chegada.
Quem estava nos explicando como seria nosso primeiro voluntariado já tinha vivido a experiência de chegar a um lugar novo sem saber exatamente o que encontraria.
Inclusive, algumas escolhas daqui nasceram da própria experiência deles viajando.
O chalé privativo para casais é uma delas. Cibele contou que eles sentiam falta dessa opção em alguns lugares.
Agora nós estávamos justamente dentro de um desses chalés.
Às vezes, uma coisa que fez falta para alguém acaba virando conforto para quem chega depois.
Hora de aprender
Depois de conhecer o espaço e descansar um pouco, começamos a aprender o turno.
Além da Cibele, um dos voluntários que estava conosco é de Belo Horizonte. Ele também está no primeiro voluntariado, já está há quase um mês no hostel e trabalha como cozinheiro.
Isso ficou bem claro rápido.
Era muito bom observar alguém que sabia exatamente o que estava fazendo na cozinha, enquanto eu ainda estava naquele estágio importante do aprendizado em que minha maior especialidade era lavar a louça como ninguém.
Ele está nos últimos dias por aqui e depois segue para outro voluntariado, em Florianópolis. Então estamos aproveitando para conversar, observar e aprender bastante com ele.
Cibele e ele foram mostrando os preparos, a organização, a limpeza e onde ficava cada coisa.
Pouco depois, estávamos de avental e toca na cozinha.
A Angelys parecia entrar naquele cenário com muito mais naturalidade. Ela já tem experiência na cozinha.
Eu acompanhava as explicações tentando guardar mentalmente onde ficava cada coisa e torcendo para a memória colaborar quando chegasse a hora de fazer sem alguém apontando o caminho.
Começamos pelas porções.
Enquanto nos ensinava, Cibele aproveitava para fotografar os pratos prontos. Essas imagens vão servir como referência para os próximos voluntários saberem como cada porção deve ser preparada e apresentada.
Achei um cuidado excelente.
Ajuda quem está chegando, mantém um padrão e melhora a experiência de quem está hospedado também.
Em algum momento também descobri que vamos precisar aprender a preparar drinks.
Quem me conhece sabe que experiência em beber não me falta.
Agora vou aprender o outro lado do balcão.
Talvez finalmente todos esses anos de dedicação tenham alguma aplicação prática.
Trabalho online não ficou em Curitiba
Nossa rotina ficou dividida entre dias de turno no hostel e dias livres.
E havia um detalhe importante para encaixar nisso tudo: nós continuamos trabalhando online enquanto viajamos.
Nos dias livres, a ideia é dividir o tempo entre trabalho e conhecer a região.
Pelo menos essa é a teoria.
Porque a realidade resolveu testar o planejamento logo na chegada.
Viemos de ônibus, conhecemos o lugar, começamos o treinamento no mesmo dia e a Angelys ainda estava com bastante trabalho para entregar.
Na manhã seguinte, às 6h, ela já estava acordada tentando adiantar as coisas.
Essa é uma parte da vida de quem trabalha online que provavelmente rende menos vídeos bonitos.
O cenário muda.
O prazo de entrega parece saber exatamente onde você está.
Você pode estar a 40 metros do mar.
O trabalho continua sabendo seu endereço.
Agora estamos descobrindo, na prática, como encaixar essas duas coisas na mesma rotina.
A troca
Encontramos essa oportunidade pela Worldpackers, que conecta viajantes e anfitriões para esse tipo de experiência.
No nosso combinado, temos hospedagem, café da manhã e almoço. Em troca, temos nossas responsabilidades no hostel.
Não chegamos simplesmente para dormir de graça perto da praia.
Existe trabalho e existe compromisso.
E é justamente isso que queremos conhecer de verdade: como essa troca funciona quando você sai da tela do celular e realmente vai viver a experiência.
Porque existe uma diferença enorme entre assistir a vídeos sobre voluntariado e estar lá, de avental e toca, tentando lembrar onde guardaram a batata.
Gente que até ontem não existia na nossa vida
No fim do turno, nos reunimos para jantar com os outros voluntários.
Também conhecemos um rapaz de São Paulo que já estava no oitavo voluntariado e um casal de argentinos vivendo a segunda experiência deles.
Isso foi muito legal.
Um estava começando. Outro já tinha vivido aquilo oito vezes. Um casal vinha da Argentina. Outro voluntário já estava planejando seguir dali para Florianópolis.
Caminhos diferentes, mas com algo em comum: a vontade de viajar e conhecer lugares novos.
À noite, a mesa ficou cheia de pratos, vozes e sotaques diferentes.
Horas antes, aquelas pessoas eram desconhecidas.
Cada um tinha vindo de um lugar, com uma história diferente.
E ali estávamos todos, dividindo o jantar como se aquele encontro improvável fosse a coisa mais normal do mundo.
Talvez as pessoas que aparecem pelo caminho acabem sendo uma parte tão importante da viagem quanto os próprios lugares.
Foi só o primeiro dia
Também gravamos nossa chegada, o chalé, um pouco do hostel e nossa estreia na cozinha para o Bah, Viajou.
Ainda é cedo para dizer como será essa experiência.
Foi só o primeiro dia.
Mas aquela pergunta que entrou no ônibus conosco já começou a ser respondida.
Como será que vai ser?
Ainda não sabemos.
Mas começou muito melhor do que esperávamos.
Fomos muito bem recebidos, encontramos gente disposta a ensinar e, pelo menos nessa chegada, parece que escolhemos um ótimo lugar para começar.
Agora precisamos aprender o restante, organizar nossos trabalhos e começar a conhecer Matinhos.
O mar está logo ali.
Falta a chuva dar uma trégua.
Vamos conversar?
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