Eu não larguei uma vida ruim. Eu larguei uma vida que tinha dado certo.

Em cinco anos, fui de desempregado, morando com meus pais e com vergonha de falar ao telefone, a diretor geral de uma imobiliária. Aos 40, comecei de novo como freelancer e passei a trabalhar online. Não porque minha vida anterior tinha dado errado. Pelo contrário. Ela tinha dado certo. Eu só descobri que queria conhecer o mundo.

Hoje eu e a Angelys trabalhamos de casa.

Ela está mais forte no freelancer. Eu também continuo trabalhando como freelancer, mas voltei a atuar com a imobiliária onde passei os últimos cinco anos — agora à distância.

Neste momento estamos em Capão Novo.

Tem uma história boa sobre como viemos parar aqui. Boa mesmo. Mas fica para outro texto.

Se eu voltar cinco anos, nada disso fazia parte dos meus planos.

Nem freelancer.

Nem trabalho remoto.

Nem viajar pelo mundo.

Em 2021, aos 35 anos, eu estava desempregado, morando com meus pais e mais dois irmãos.

E precisava fazer alguma coisa.

Um churrasco que mudou muita coisa

Meu amigo de infância tinha seguido um caminho completamente diferente do meu.

Nós crescemos no mesmo bairro e, com o tempo, cada um foi para o seu lado. Ele começou como corretor de imóveis e depois abriu uma imobiliária em sociedade com outra pessoa que, anos mais tarde, também se tornaria um grande amigo meu.

Eu vinha de empregos com carteira assinada.

Nunca tinha trabalhado com vendas.

Nunca tinha prospectado cliente.

Muito menos passado o dia falando com desconhecidos.

Um dia esse meu amigo foi almoçar lá em casa. Queria rever meus pais, minha família, fazer um churrasco.

Foi um almoço muito bom.

Em algum momento ele me convidou para conhecer a imobiliária.

Quando fui com ele até o carro, lembro de olhar a caminhonete em que ele estava.

Acho que era uma Range Rover. Não tenho certeza e não vou melhorar a história cinco anos depois.

Mas lembro perfeitamente de pensar:

meu amigo está bem.

Ele tinha começado como corretor.

Eu estava desempregado.

Aquilo também pesou na minha cabeça.

Talvez vendas fossem uma coisa que eu precisava pelo menos tentar.

Não era:

“Vou descobrir minha nova vocação.”

Era bem menos bonito.

Eu precisava trabalhar.

Excelente profissão para alguém tímido

Fui conhecer a imobiliária e encontrei vários rostos conhecidos.

Muita gente tinha vindo do mesmo bairro onde eu cresci.

Nos primeiros dois ou três dias praticamente fiquei olhando.

Como ligavam.

O que falavam.

Como pesquisavam clientes.

Como passavam pela secretária.

Como tentavam chegar até o dono da empresa.

Eu chegava em casa e pensava:

isso não é para mim.

No outro dia voltava.

Pensava a mesma coisa.

E voltava de novo.

Eu não tinha a opção de ficar esperando aparecer alguma coisa que combinasse perfeitamente comigo.

Precisava trabalhar e ajudar minha família.

E aí comecei a ligar.

Não existia uma lista de pessoas interessadas esperando nosso contato.

Era ligação fria mesmo.

Boa parte da prospecção começava no Google. Encontrávamos empresas e contatos e tentávamos chegar até quem poderia ter perfil para investir.

Muitas vezes a primeira barreira era a secretária.

Se eu conseguisse passar por ela e chegar até o dono, começava outra batalha.

A pessoa não tinha pedido aquela ligação.

Não tinha pedido material.

Na maioria das vezes, nem sabia que aquele empreendimento existia.

Algumas desligavam na nossa cara.

Outras faziam piada.

Algumas mandavam nunca mais ligar.

E, de vez em quando, alguém falava:

“Tá, me manda o material.”

Aquilo já era alguma coisa.

Eu chegava a fazer cerca de 150 ligações por dia.

Talvez conversasse de verdade com umas 30 pessoas.

Para alguém que tinha vergonha de falar com desconhecidos, parecia um treinamento desenvolvido especificamente para me torturar.

E tinha um detalhe que deixava tudo ainda melhor:

todo mundo ouvia as ligações de todo mundo.

Se alguém travasse, falasse alguma besteira ou acontecesse alguma situação engraçada, a sala inteira escutava.

Eu queria me esconder.

Só não tinha onde.

Então era basicamente isso: ligar para alguém que não queria receber minha ligação, tentar passar pela secretária, chegar até o dono e despertar algum interesse enquanto meus colegas ouviam tudo.

Excelente para alguém tímido.

Mas existia uma parte que ninguém podia fazer por mim:

ligar.

Depois eu tinha ajuda.

Se a conversa avançasse e surgissem dúvidas sobre o empreendimento, os donos entravam. Orientavam e, quando precisava, assumiam a negociação.

Mas até aquilo acontecer eu precisava apertar o botão.

Durante o dia eu ria. À noite era diferente.

Na imobiliária eu era descontraído.

Tinha gente conhecida. Brincava, ria, trabalhava, folgava nos outros e folgavam em mim.

Tudo certo.

Se alguém me ensinava alguma coisa, eu fazia.

Se tem que fazer, faz.

Mas quando chegava em casa era diferente.

Sozinho no quarto, ou às vezes no chuveiro, aquilo pesava.

Eu estava tentando fazer uma coisa completamente fora de tudo que sabia fazer.

E precisava funcionar.

Chorei algumas vezes.

Não tenho problema nenhum em dizer isso.

Queria encontrar o cliente certo.

Queria vender.

Queria ajudar minha família.

E teve um dia que me marcou muito.

Minha mãe fez aniversário.

Eu já estava trabalhando na imobiliária e não tinha dinheiro para comprar um presente para ela.

Quando digo que não tinha dinheiro, não é aquele:

“Bah, estou quebrado.”

Eu não tinha R$ 2 no bolso.

Aquilo me atingiu de um jeito que eu nunca tinha sentido.

Eu tinha 35 anos e, na minha cabeça, não estava fazendo aquilo que um homem precisava fazer naquele momento: conseguir ajudar a própria família.

Minha mãe fazia aniversário e eu não conseguia dar nada para ela.

Durante o dia eu continuava trabalhando.

À noite doía.

É engraçado como Deus me dá forças em alguns momentos.

Nem sempre tirando o problema da frente.

Às vezes só me fazendo continuar passando por ele.

Foram dias longos.

Até a venda sair.

“Então isso realmente dá certo”

Acho que levou uns três meses.

Eu via outras pessoas vendendo.

Via contrato saindo.

Via comissão.

Sabia que aquilo funcionava.

Só existia uma dúvida que ninguém conseguia responder por mim:

funciona para mim?

Até que uma das ligações avançou.

Eu fiz minha parte: liguei e consegui levar a conversa adiante.

Quando surgiram dúvidas sobre o empreendimento e a situação ficou mais séria, meu amigo entrou.

Ele assumiu a negociação e fechou aquela primeira venda.

Na verdade, foram duas unidades.

Minha comissão ficou em torno de R$ 14 mil.

Nunca tinha recebido tanto dinheiro de uma vez.

E lembro perfeitamente do que pensei:

“Então isso realmente dá certo. É verdade.”

Finalmente eu tinha a minha prova.

Não porque os outros vendiam.

Agora eu tinha vendido.

E consegui presentear minha mãe.

Depois da primeira venda acontece um negócio engraçado.

Por alguns dias você se sente praticamente superpoderoso.

Até o jeito de caminhar muda.

A passada fica diferente.

Você não descobriu todos os segredos do universo.

Mas anda como se tivesse descoberto uns três.

Eu fiquei mais leve.

Passei a ligar com mais confiança.

Não significa que virei uma máquina e nunca mais passei um mês sem vender.

Passei.

Mas, graças a Deus, tive mais meses vendendo do que sem vender.

E fui crescendo.

De corretor a diretor geral

Ao longo daqueles cinco anos passei por quatro posições:

corretor → gerente → diretor de time → diretor geral.

Vendi bastante.

Recebi premiações.

As responsabilidades aumentaram.

Mas nunca fui o líder do discurso bonito.

Não gosto muito de falar em público.

Minha forma de liderar sempre foi outra:

eu tentava liderar pelo exemplo.

Falava pouco e tentava fazer muito.

Se precisava fazer, fazia.

Se eu cobrava determinada postura, tentava primeiro ter aquela postura.

Era meu jeito.

Tiago segurando o troféu de Diretor Campeão em frente ao elevador.

Também fiz poucas amizades de verdade na imobiliária.

Mas as que fiz viraram irmãos.

Meu amigo de infância continuou fazendo parte da minha vida. O sócio dele virou um dos meus grandes amigos. E outras poucas pessoas que conheci ali passaram a ter um valor enorme para mim.

Dinheiro vai e volta.

Cargo muda.

Algumas pessoas ficam.

Da geladeira para a lua cheia

É fácil olhar as fotos da parte boa da história e imaginar que tudo aconteceu rápido.

Não aconteceu.

Em uma das fases, eu e a Angelys fomos morar em uma kitnet perto da imobiliária.

Ela era barata.

Ficava perto do trabalho.

E essas eram basicamente as grandes qualidades do lugar.

Porque no verão...

Meu Deus.

Não tinha ar-condicionado.

E não foram uma ou duas noites difíceis.

Foram muitas noites horríveis para dormir.

Mesmo com ventilador.

Às vezes eu abria a geladeira e ficava na frente dela tentando aproveitar um pouco do ar frio.

Era praticamente nosso ar-condicionado.

Só tinha dois problemas: não climatizava o quarto e, aparentemente, geladeira não foi projetada para uma pessoa morar na frente dela.

O alívio durava pouco.

Muito pouco.

Também estávamos naquela kitnet durante as grandes enchentes de 2024.

Não vou transformar isso em “minha história da enchente”. Muita gente perdeu casa, bens, familiares e passou por situações incomparavelmente piores que a nossa.

Mas foi um período que marcou o Rio Grande do Sul inteiro. Em 13 de maio daquele ano, a Defesa Civil registrava 447 municípios e mais de 2,1 milhões de pessoas afetadas.

Só em julho de 2025 fomos morar na região do Iguatemi, na esquina com a Carlos Gomes.

E essa mudança mexeu bastante comigo e com a Angelys.

É difícil explicar sem alguém interpretar errado, mas eu realmente acredito que o lugar onde você mora influencia como você se sente.

Não estou falando que uma pessoa é melhor porque mora em determinado bairro.

É ambiente.

Aquela região nos fazia bem psicologicamente.

Era bonita.

Tinha tudo perto.

Serviços, restaurantes, mercados, empresas.

Era confortável.

Era prático.

E tinha a vista.

Eu sou apaixonado por vistas.

Nos dias de lua cheia era incrível.

Tenho uma foto que tirei da janela daquele apartamento.

Lua cheia fotografada por Tiago da janela do apartamento.

Talvez alguém veja apenas a lua.

Para mim, aquela vista trazia uma sensação de conforto difícil de explicar.

De estar bem naquele lugar.

É curioso pensar nisso hoje.

Pouco tempo antes eu ficava na frente de uma geladeira tentando sentir um pouco de ar frio.

Agora eu parava na janela para fotografar a lua.

Minha vida tinha dado certo

Eu também comecei a conhecer lugares que antes não faziam parte da minha realidade.

Nunca fui muito ligado em roupa de marca.

Meu luxo era outro.

Eu gosto de comer bem.

Lembro da primeira vez que fui ao Coco Bambu, convidado pelos donos da imobiliária.

Nunca tinha entrado naquele restaurante.

Para algumas pessoas pode ser algo completamente normal.

Para mim, naquele momento, era uma experiência nova.

Depois eu e a Angelys fomos conhecendo outros lugares. Alguns viraram restaurantes que gostávamos de repetir.

Tinha inclusive um tailandês muito bom perto de casa.

Naquela época a Tailândia aparecia bastante no nosso prato.

Pouco tempo depois apareceria nos nossos planos.

E é aqui que existe uma parte importante dessa história:

eu gostava da minha vida.

Seria fácil escrever que eu tinha dinheiro, mas era vazio por dentro.

Que odiava meu trabalho.

Que acordava querendo fugir.

Ficaria ótimo num vídeo motivacional.

Só teria um problema.

Seria mentira.

Eu gostava da minha vida.

Ganhei dinheiro.

Fiz amigos.

Comi bem.

Morei em um lugar que me fazia bem.

A imobiliária mudou minha vida.

Não tenho arrependimento daqueles cinco anos.

A vida me deu aquela fase e eu aproveitei.

Eu não larguei uma vida ruim. Eu larguei uma vida que tinha dado certo.

Porque apareceu um sonho novo.

“Espera. Então dá para viver de outro jeito?”

Em março de 2026, eu e a Angelys começamos a assistir a vídeos do Ponto Azul, da Sofi e do Edu.

Nos vídeos que vimos, eles viajavam pela Tailândia.

Começamos a pesquisar mais e descobrimos que eles tinham saído de Belo Horizonte em 2023, com mochilas e sem data para voltar, e passado por experiências de voluntariado antes de seguir viagem pela Ásia, inclusive pela Tailândia.

Eu não sabia direito que existia gente vivendo daquele jeito.

Mochilão.

Voluntariado.

Troca de trabalho por hospedagem.

Trabalho online.

Meses viajando.

Aquilo abriu uma possibilidade na nossa cabeça.

Não foi:

“Vamos fazer igual.”

Foi:

“Espera. Então dá para tentar viver de outro jeito?”

E logo depois apareceu a pergunta que costuma estragar boa parte dos sonhos adultos:

como vamos ganhar dinheiro?

Porque conhecer o mundo é maravilhoso.

Até aparecer a primeira conta.

Eu e a Angelys

É impossível contar essa parte da história como se fosse uma decisão só minha.

A Angelys está comigo em tudo.

Ela fala bem, se comunica bem e tem uma desenvoltura que eu não tenho para falar em público.

É firme e espontânea.

Às vezes parece uma senhora de 90 anos.

Cinco minutos depois aparece o lado menina.

Ela começou como minha amiga.

Foi me conquistando aos poucos até que, em algum momento, percebi que já amava ela.

Hoje somos grudados.

Ela é minha mulher, minha melhor amiga e minha parceira.

Então quando começamos a pensar em conhecer o mundo, o plano nunca foi meu.

Era nosso.

Tiago e Angelys juntos em um restaurante.

Foi pesquisando formas de trabalhar online que chegamos ao freelancer.

Antes de sair do presencial eu já tinha criado minha conta na Workana, mas praticamente não conseguia me dedicar.

Trabalhava durante o dia e sobrava a noite.

Quando decidimos levar aquilo a sério, fizemos o que parecia lógico.

Tentamos montar um perfil completo.

Criamos portfólio por instinto.

Se ninguém nos conhecia, precisávamos mostrar alguma coisa.

A Angelys trazia edição, comunicação e desenvoltura.

Eu trazia vendas, prospecção e negociação.

Também sempre fui muito curioso. Já usava bastante o ChatGPT, comecei a mexer com criação de sites, depois descobri outras ferramentas e fomos juntando as peças.

Quando começamos a pesquisar projetos e enviar propostas de verdade:

em três dias conseguimos nosso primeiro contrato.

Depois veio o primeiro pagamento.

E aquela sensação voltou.

“Isso realmente dá certo.”

De novo.

O plano mudou. O objetivo não.

Em junho de 2026, saí do presencial.

A ideia era construir uma renda que não dependesse de estarmos fisicamente em determinada cidade.

Eu não queria apenas trabalhar de casa.

Queria conseguir trabalhar de onde estivéssemos.

Só que a vida não respeita muito o roteiro bonito que a gente imagina contar depois.

Algum tempo mais tarde, meu amigo me ligou.

Fizemos uma videochamada, eu e a Angelys.

Ele pediu para voltarmos.

Fez uma proposta.

E voltamos a trabalhar com a imobiliária.

Só que agora à distância.

Hoje continuo trabalhando remotamente com ela e também como freelancer.

Quase fiz algumas vendas desde que voltei.

Quase.

E quem trabalha com vendas conhece uma das maiores injustiças dessa profissão:

quase venda paga exatamente R$ 0 de comissão.

A Angelys está mais forte no freelancer e nós continuamos tentando construir nossa renda online.

No fim, talvez eu não tenha trocado uma profissão por outra.

Estou tentando fazer tudo aquilo que aprendi nos últimos anos caber na vida que quero construir daqui para frente.

Eu quero conhecer o mundo

Quando olho para trás, não sinto que abandonei cinco anos.

Aproveitei.

Tive dias péssimos.

Tive dias incríveis.

Ganhei dinheiro.

Fiz amigos que viraram irmãos.

Morei numa kitnet onde a geladeira teve uma breve carreira como aparelho de climatização.

Depois morei em um lugar onde eu parava para fotografar a lua cheia da janela.

Aprendi a vender.

Aprendi a ouvir “não”.

E aprendi a rir de mim mesmo.

Isso talvez tenha sido uma das melhores coisas.

Quando você consegue rir de você mesmo, fica muito mais difícil alguém usar alguma coisa para te diminuir.

Um amigo antigo me definiu uma vez como um “louco consciente”.

Gostei.

Acho que continua fazendo sentido.

Tenho minhas loucuras.

Mas gosto de saber onde estou pisando.

Passei 40 anos no Brasil.

Agora existe uma coisa que eu quero muito:

conhecer o mundo.

Sou apaixonado por vistas.

Quero ver pessoalmente os lugares que hoje conheço pela tela.

Quero conhecer culturas diferentes.

Outras cidades.

Outras maneiras de viver.

Quero entrar em restaurantes sem saber direito o que estou pedindo.

E quero viver isso com a Angelys.

Mas este texto não está sendo escrito depois de tudo dar certo.

Nós ainda estamos no meio.

Estamos trabalhando.

Tentando aumentar nossa renda.

Errando.

Acertando.

Fazendo contas.

Existe medo.

Existe incerteza.

E existe vontade.

No meio dessa mudança, também consegui ter uma conversa que queria havia muito tempo.

Fiz uma chamada de vídeo com meus pais.

Queria agradecer por tudo.

Dizer que amo eles.

E dizer que ainda quero conseguir fazer mais por eles.

Foram 18 minutos.

Choramos.

Conversamos.

E consegui falar o que precisava.

Talvez seja justamente isso que eu esteja procurando quando falo em liberdade.

Não apenas viajar.

Mas ter mais escolha sobre onde estou, como trabalho e o que consigo fazer pelas pessoas que amo.

Aos 35 anos, eu entrava numa imobiliária pensando:

“Isso não é para mim.”

Depois virei diretor geral.

Agora, aos 40, estou começando outra coisa.

Não sei onde vai dar.

Mas já descobri que às vezes sou péssimo em prever aquilo que sou ou não capaz de fazer.

Então vou descobrir.

Eu quero conhecer o mundo.

E vou tentar.

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